Grupo dedicado à protecção e libertação animal.

quinta-feira, março 31, 2005

Tráfico "legal" de animais

Em Portugal, as lojas de animais de estimação multiplicam-se a olhos vistos. Este negócio que move milhões de euros todos os anos é alimentado pela ignorância generalizada do publico que compra cães, gatos, répteis, peixes, aves exóticas e pequenos roedores desconhecendo ou não se importando com a realidade da vida desses animais. Esta atitude irreflectida e irresponsável encoraja a manutenção destas lojas e a abertura de muitas outras vitimando cada vez mais animais.

Qualquer pessoa sensata que perca uns segundos a olhar para um cão ou um gato preso dentro de uma jaula numa loja num qualquer centro comercial é capaz de entender que aquela criatura está deprimida, que não é feliz. A infância de cães, gatos, chinchilas, esquilos, etc., é passada dentro de lojas abafadas nunca aprendendo a brincar e não se desenvolvendo portanto, correctamente.

A maioria das crias provém de autênticos viveiros onde são criadas em grande número sem condições de higiene, sem cuidados veterinários, separados dos progenitores cedo demais e depois sujeitas a viagens de milhares de quilómetros dentro de camiões até à loja onde irão passar o resto da sua infância – se a sorte continuar a não lhes sorrir – confinados a um pequeno espaço onde muitas vezes permanecem sozinhos, completamente abandonados numa montra. Para piorar, os donos das lojas de animais e os funcionários maltratam os seus “produtos” sem nunca se lembrarem de que estão a lidar com seres vivos que sentem e que sofrem.

Quando são vendidos, os animais são muitas vezes abandonados pouco depois pois não se desenvolveram correctamente tendo-se tornado animais apáticos e mortiços. Como ninguém quer um animal assim, os novos donos desfazem-se deles despejando-os num beco ou à porta de associações de defesa de animais, na melhor das hipóteses.

Por essa razão, a indústria de venda de animais contribui fortemente – ainda que indirectamente – para o crescimento da população animal vadia obrigando as autoridades a agir da maneira mais fácil e menos dispendiosa: matando.

Como se não bastasse todo o sofrimento infligido aos animais que estão envolvidos no processo, as lojas de animais promovem a insensibilidade das pessoas, passando a mensagem de que é correcto tratar animais como mercadoria, como objectos de decoração como é o caso dos peixes de aquário.


O que fazer:

Evite comprar animais em lojas. Existem inúmeras associações locais cujos albergues estão sobrelotados de animais com necessidades. Como exemplo, a União Zoófila em Lisboa alberga cerca de 800 cães e 200 gatos e passa por inúmeras dificuldades para cuidar de todos esses animais abandonados e vítimas de maus-tratos que ninguém quer.

Mas então e os animais nas lojas? É de facto um dilema. Se por um lado esses animais são vítimas da ganância e crueldade humana, pagar por eles é compactuar e contribuir para o sucesso financeiro da respectiva loja que irá continuar a vender mais e mais animais. Este negócio tem de ser parado, os animais não são escravos, não são brinquedos, não são objectos de decoração e só boicotando a exploração animal nas lojas é que se conseguirá prejudicar os seus lucros ilegítimos, conseguidos pela escravatura de seres vivos indefesos.

Escreva para as lojas demonstrando a sua indignação pelo comércio de animais, sugira-lhes que parem a venda de animais de viveiros e se foquem no comércio de produtos alimentares, brinquedos, medicamentos, acessórios e livros. Explique-lhes que não precisam de fazer dinheiro à conta do sofrimento animal e que podem, inclusive, ajudar a arranjar lar para animais que nasceram fora de viveiros e longe de criadores inconscientes e cruéis.

Escreva para as autoridades locais, para políticos pedindo a correcta e atempada fiscalização destes espaços. A lei proíbe a comercialização de muitas espécies que são descaradamente vendidas em lojas aos olhos das autoridades que deixam passar em branco o delito. Se for esse o caso faça uma denúncia dessa loja ao Instituto de Conservação da Natureza e com sorte eles tomarão a atitude correcta.
Passe a mensagem a amigos e familiares. Contribua sensibilizando e educando as pessoas lembrando-as de que os animais têm o mesmo direito a uma vida em pleno e à liberdade como qualquer Ser Humano e que não são produtos para serem comercializados para proveito de ninguém.

Vergonha Nacional...Mais uma


Todos sabemos (ou imaginamos) a importância da floresta Amazónica para o nosso planeta. Aquilo que, infelizmente, parece passar despercebido é que esta relíquia natural está desde há décadas a ser legal e ilegalmente destruída. Os inimigos são os do costume: pecuária, a expansão da soja mecanizada, a extracção ilegal de madeira, a abertura de estradas, os ajustamentos da reforma agrária, etc…Graças a todas estas indústrias, estima-se que tenham sido já destruídos cerca de 631.000 Km2 de floresta (dados de 2002). De acordo com o governo brasileiro, cerca de 80% da madeira abatida na Amazónia é-o de forma ilegal; 20% dessa madeira é exportada para os EUA e Europa, sendo o resto utilizado no Brasil.

Para nossa imensa vergonha, calcula-se que Portugal seja o sétimo maior exportador mundial de madeira Amazónica[1], servindo (também neste negócio) como porta de entrada no continente europeu de madeira extraída ilegalmente das últimas florestas tropicais do planeta.

Com o objectivo de alertar a sociedade e o governo para este flagelo, os protestos contra o uso de madeira obtida ilegalmente têm sido uma constante por terras lusas.

No dia 22 de Março de 2005, activistas da QUERCUS e da GREENPEACE tentaram impedir o descarregamento de madeira ilegal proveniente da Amazónia, bloqueando a entrada do navio Skyman no Porto de Leixões. Este carregamento valia, no mínimo, 195.666 €, e incluía madeira de, pelo menos, quatro empresas brasileiras multadas por envolvimentos em ilegalidades na extracção de madeira tropical.

No dia 29 de Março de 2005, os activistas da QUERCUS e da GREENPEACE uniram-se no Porto (Vale de Cambra) para, mais uma vez, lutarem contra esta prática concentrando-se, desta vez no grupo Vicaima, um dos maiores processadores de madeira em Portugal e um dos principais fabricantes de portas a nível europeu. O grupo Jomar/Vicaima/Madeiporto compra madeira amazónica importada ilegalmente pela “gigante” dinamarquesa DLH Nordisk. Dez activistas concentraram-se durante cerca de quatro horas no portão do recinto, barricando a entrada de veículos na empresa. Apesar de se tratar de um protesto de carácter notoriamente pacífico em que foi estendida uma faixa com a mensagem Chega de madeira ilegal – Comprem FSC, e em que se procedeu à distribuição de panfletos de sensibilização aos trabalhadores (que não foram impedidos de entrar), um jornalista e o vice-presidente da QUERCUS – Luís Galrão – foram agredidos por dois dos directores do referido grupo.

Um dos “ilustres” senhores dá pelo nome de Álvaro Pinto da Costa Leite e, para além de administrador desta empresa foi o fundador do Finibanco, alargando (infelizmente) a sua influência à política, tendo chegado a ocupar a presidência da Câmara de Vale de Cambra pelo PSD.

Curiosamente (ou não…), o protesto terminou com a detenção dos activistas e não dos agressores. A justificação da GNR para essa “falha” foi “a agressão não foi presenciada em flagrante”.

Apesar da RTP ter filmado quase tudo (o protesto, a chegada do indivíduo de Mercedes e as ofensas por ele proferidas aos activistas e aos jornalistas), a versão completa da reportagem foi exibida apenas no Jornal da Tarde, às 13:00h; no Jornal da Noite, às 20:00h (horário nobre - mais audiência), essa versão foi substituída por uma amputada, em que foram suprimidas as agressões.

Infelizmente, com todos estes acontecimentos, o que acabou por se “esquecer” foi a mensagem e os objectivos das organizações ecologistas: foi reivindicado o cessar imediato da compra de madeira ilegal pelos referidos grupos e pedido que só fossem comercializados produtos certificados pelo FSC (Forest Stewardship Council- Conselho de Manutenção Florestal).

Um dos grandes obstáculos (outro…) nesta luta é o facto do governo português ter permanecido passivo em relação a este assunto. Quando países como a Alemanha, Inglaterra, França e Bélgica se dispuseram a apoiar a implementação do plano de acção da União Europeia contra o tráfico de madeira ilegal, Portugal não demonstrou o mesmo empenho; enquanto isto acontecer, seremos vistos como cúmplices da destruição da floresta Amazónica.


[1] Os maiores importadores de madeira amazónica são os EUA, a China, a França, a Holanda, Espanha, Inglaterra e Portugal.

segunda-feira, março 28, 2005

Fátima Lopes: batam palmas que ela merece…


A estilista Fátima Lopes promove descaradamente a utilização de peles de animais descartando-se de qualquer bom senso ou sensibilidade, algo facilmente constatável nas inúmeras entrevistas que dá a revistas e jornais onde não se poupa a esforços por tratar fria e cruelmente o sofrimento das criaturas que sucumbem à sua sede de peles.

Fátima Lopes afirma-se como acérrima defensora do uso de peles, o que não é de estranhar já que este tipo de pessoas vive em função da sua própria ganância e quando assim não é, vivem limitadas pela sua ignorância ou crueldade.

A senhora Fátima Lopes, não se pode desculpar alegando ignorância dos factos pois já é criticada há muito por associações de defesa de animais que prontamente repudia apelidando a causa animal como “um disparate”.

“Por essas e por outras” a associação ANIMAL produziu um vídeo e está a levar a cabo uma campanha de divulgação dos actos e ideologias (que não consigo desassociar das nazis) para informar o público do tipo de pessoa que a senhora Fátima Lopes tão bem representa.

Faça o download gratuito do vídeo aqui e ajude a divulgar esta vergonha. Vamos tentar mostrar a esta senhora que a luta contra a sua atitude ignóbil não passou despercebida aos defensores da causa animal.

Petição europeia contra o uso de animais em circos

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O GLA apoia a iniciativa de várias organizações europeias de defesa dos animais que lutam pela proibição do uso de animais em circos por toda a Europa.

Deveria ser do conhecimento geral que os animais usados nos circos sofrem inúmeras privações: maus-tratos, fome, não têm cuidados veterinários, são acorrentados e castigados por não cumprirem o capricho dos “tratadores” e são confinados a espaços exíguos sem condições de higiene. A maioria destes animais é adquirida ilegalmente na sua infância depois de verem os seus pais serem abatidos por caçadores furtivos. Os circos apoiam, portanto, estas actividades ilícitas.

A alimentação destes animais, quando existente, é muitas vezes composta por pequenos animais domésticos apanhados pelos funcionários dos circos na rua ou recolhidos em canis municipais. Alguns animais de estimação têm este triste destino: são abatidos ou colocados vivos dentro das jaulas dos tigres e leões para alimentar o espectáculo degradante que é o circo com animais.

A “educação” dos animais de circos com animais é conseguida através de treinos violentos física e psicologicamente deixando inúmeras mazelas que muitas vezes acabam por condenar o animal ao abate. Quando tal não acontece, ou são abatidos por já não servirem a ganância dos donos do circo ou acabam abandonados.
É assim a vida de um animal de circo: sem nunca conhecer a liberdade, o afecto e a felicidade. É a isto que chamam arte?

Do lado do público, as crianças são educadas de forma errada, sendo levadas a acreditar que os animais no seu estado natural fazem todas aquelas “proezas”. São ensinadas a rir do sofrimento dos pobres animais sem que se venham a aperceber da decadência do espectáculo a que assistiram. O circo é uma mentira.

Para se informar mais sobre os maus-tratos de animais nos circos pode consultar a secção do site da ANIMAL dedicada ao assunto aqui.

Para apoiar esta iniciativa, efectue o download do modelo da petição aqui e distribua quantas cópias forem necessárias pelos amigos e conhecidos para que também eles ajudem a acabar com a tortura nos circos angariando mais assinantes.

Tenha o cuidado de preencher os campos com letra legível com o nome e morada completos. Os assinantes têm de ser cidadãos da União Europeia e maiores de 18 anos. As assinaturas devem ser enviadas para a associação ANIMAL até 31 de Dezembro de 2005. As instruções estão no documento da petição.

Por favor apoie esta iniciativa. Não custa nada. Não deixe de apoiar este esforço por achar que a sua assinatura não serve para nada. Ela é importante. Só assim a sua voz pode ser também ouvida pelos políticos europeus.

sexta-feira, março 25, 2005

Vegetarianos em Sociedade

Antes de mais quero esclarecer que este artigo vem mais em jeito de desabafo do que outra coisa e que, como tal, não pretendo converter ninguém ao meu modo de vida.

Desde muito cedo senti a necessidade de renunciar a compactuar com a morte de animais em prol da minha alimentação, infelizmente, muitos foram os anos que passaram até eu tomar a decisão de me tornar vegetariana e hoje consigo admitir que a culpa disso foi unicamente minha, apesar de não terem sido poucos os factores que contribuíram para a minha cobardia.

Penso que o meu primeiro obstáculo foi, claro, a posição da minha família. Quando uma criança de 10 anos diz que quer ser vegetariana é, de certa forma, normal que os pais fiquem bastante apreensivos, ou pior, simplesmente nos ignorem e encarem a nossa vontade como sendo mais um sintoma da pré-puberdade. Está claro que não era nada passageiro e muito menos uma “mania” como insistiram em chamar, era algo que eu realmente queria (na altura não sabia nada do que hoje sei sobre a maneira como os animais são tratados na indústria alimentar). Na altura acabei por me deixar vencer pela vontade da minha família, mas nunca deixei de pensar no assunto…o período que se seguiu foi de pura alienação daquilo que eu sentia.

Anos depois, ao ser confrontada com imagens do que realmente se passa na produção animal acordei do mundo de futilidades em que tinha, confortavelmente, passado a viver. Por essa altura surgiram muitas dúvidas; a principal era “ se eu poupo os animais, não deverei também poupar todos os outros organismos vivos, nomeadamente, as plantas?”. Cheguei a ter uma “discussão” acerca disso com uma colega de faculdade que é vegetariana, e hoje vejo que fui injusta não só com ela como também comigo. Apesar de evitar matar plantas e as respeitar, sei que esses organismos não possuem um sistema nervoso como nós, animais. Até hoje, ninguém conseguiu provar que as plantas sofrem como os animais, na realidade encontram-se em reinos diferentes devido às suas diferenças abismais. Por isso, não vale a pena escondermo-nos atrás do “ahh se não posso poupar animais e plantas não poupo nenhum”; estamos apenas a fechar os olhos ao que é mais do que óbvio. Para pegar em exemplos algo contemporâneos, se o Schindler pensasse assim não teria salvo nenhum judeu, se a ALF[1] se regesse por esse raciocínio, não teria salvo as centenas de animais que salvou… Mais vale salvar um ou uns poucos do que não salvar nenhum porque não se pode salvar todos.Infelizmente, esta é uma das máximas utilizadas pelas pessoas que (não sei bem porquê) são contra o vegetarianismo, mas não vale a pena alongar-me neste assunto.

A maior parte das pessoas, por ignorância, tem a ideia que o vegetarianismo não é saudável porque não há o consumo de proteínas animais ou da vitamina B12. Trata-se, mais uma vez, do peso da cultura; as pessoas crescem a comer carne e a ouvir que a carne é que alimenta, o que, segundo muitos dos estudos feitos acerca da saúde dos vegetarianos, não podia estar mais errado.

Podem dizer algo ainda mais irritante e ofensivo, como, por exemplo, “O homem foi sempre caçador, os animais foram feitos para serem caçados e para nos alimentarem”. Se eu não como os meus cães ou o meu gato, porque haverei de comer uma pobre vaca ou um porco? Afinal, não sofrem tanto como os ditos animais domésticos? Não sofrem como nós? Se eu posso levar a minha vida sem ser responsável pelas mortes bárbaras de centenas de animais, porque haverei de continuar a compactuar com o que acontece em matadouros, aviários e etc?

Parece-me algo idiota que as pessoas tentem demover um vegetariano (que o é por motivos éticos) da sua filosofia de vida quando o que leva alguém a enveredar pelo vegetarianismo é o facto de se importar mais com o que os animais sofrem do que com o possível prazer que poderia sentir ao comer um bife. Trata-se de altruísmo, de prioridades, de ideologias e isso é muito difícil de abalar.

Outro grande problema para quem se quer tornar vegetariano é o preço normal dos produtos essenciais em qualquer dispensa vegetariana (i.e., tofú, seitan, etc…). São realmente caros, e ainda mais se comparados ao preço da carne e do peixe. Penso que os preços só vão baixar quando a procura aumentar e se construir mais concorrência às empresas que, praticamente, detêm o monopólio desta indústria.Provavelmente, aliada ao custo dos produtos vem a ausência de lojas que os vendam em certas localidades (estando na zona da grande Lisboa, é relativamente fácil). Como disse, são obstáculos, e esses ultrapassam-se de uma maneira ou de outra…acreditem que vale a pena ter a consciência tranquila.

Enfim, sendo vegetariana por motivos ideológicos, por vezes tenho de aturar certas coisas mesmo dentro de casa (o meu pai continua a achar que isto é mais um “fundamentalismo”) mas apesar de estar apenas no início sei que nunca vou voltar atrás e pela primeira vez na vida sinto que o que penso está em concordância com o que faço…o que é uma óptima sensação.

[1]Animal Liberation Front (ALF): género de milícia clandestina com células por todo o mundo que perpetua acções, muitas das vezes ilegais, para salvar animais explorados e torturados pelo Ser Humano.

Pseudo-santuários

A última ameaça aos animais selvagens.



Aqui há uns meses tive o (des) prazer de tomar conhecimento de um projecto cuja suposta missão é salvar os grandes felinos da extinção: Tiger Missing Link Foundation (TML). Em Janeiro passado, na 2 (dois), na hora dedicada a programas sobre animais, exibiram um documentário sobre esse projecto, pintando-o com um “glamour” asqueroso.

Trata-se, pura e simplesmente, de um grupo de “pessoas” que cria grandes felinos (leões, tigres, chitas), muito à semelhança do que se faz nos Zoos, com a particularidade de serem Humanos a educar as crias, desde que nascem. Pouco tempo depois de darem à luz, as fêmeas, cansadas, vêem os seus filhos serem roubados pelo mesmo grupo de indivíduos que a roubou tempos antes, ao calor da sua mãe. Já com as crias em seu poder, a desculpa é que aquelas fêmeas não são boas mães (apesar de, momentos antes, termos visto a jovem mãe debater-se com quanto podia, para tentar defender as suas crias daqueles predadores) e por isso, as crias têm de ser criadas por e com os humanos, muito à semelhança do que se faz com um cachorrinho doméstico. Durante o tempo em que estão no seio da família humana são educados para se tornarem gatinhos domesticados e submissos; apenas mais um troféu para o enorme ego das pessoas envolvidas naquele projecto.

O processo de domesticação baseia-se num conceito muito simples: enfraquecer a espécie até ela ficar totalmente dependente de humanos para sobreviver (tal como os cães, gatos e pássaros domésticos). Deste modo, desde que nascem, as crias estão condenadas a ser arrancadas às suas raízes, para terminarem as suas vidas dentro de jaulas diminutas e imundas a entreter os “bípedes”.

Vejamos, então alguns dos truques que estes “amantes dos felinos” utilizam:

- Ao retirar a cria recém-nascida à progenitora impossibilita-se a construção dos laços mãe-cria, extremamente importantes ao bom desenvolvimento de qualquer Mamífero;

- A cria não é alimentada com o leite materno, privando-a do alimento mais indicado e equilibrado para o bebé, sendo rico em todos os nutrientes indispensáveis ao crescimento da cria como também em anticorpos provenientes da mãe, que se revelariam de extrema importância na manutenção do organismo da cria (já para não falar da importância que o próprio acto de amamentar tem para a cria e para a progenitora);

- Os tais laços afectuosos que a cria deveria estabelecer com a mãe e irmãos serão estabelecidos com seres Humanos, o que confunde a cria, podendo levá-la a abdicar de certos comportamentos típicos da sua espécie, para adoptar os da espécie da progenitora não-biológica;

- Ao ser criado pela a progenitora biológica teria uma infância e adolescência dedicada à descoberta do seu habitat e aprendizagem de técnicas que mais tarde garantiriam a sua sobrevivência. Numa casa humana, a cria passa a maior parte deste período fulcral a ser domesticada e a aprender a ser submissa à figura Humana. Assim sendo, a cria não desenvolverá, na sua totalidade, todas as suas capacidades intelectuais, muito à semelhança de uma criança humana criada, por exemplo, com cães;

- Depois de atingirem um determinado tamanho em que já se torna difícil a sua manutenção pelos humanos (e também já perderam a graça de quando eram bebés), os juvenis são encaminhados para o parque, onde são enjaulados e servem de atracção turística para o resto das suas vidas;

Imagine-se, portanto, a confusão que não irá na mente dos juvenis que, depois de terem sido criados com, e por humanos (para eles a sua família), são atirados para jaulas, sem nenhum do “carinho” que em tempos tiveram. Ao mesmo tempo, têm, muitas vezes de se habituar à presença de outros felinos da mesma espécie que não é algo de normal para eles, já que foram criados por pessoas, e, na maior parte das vezes, sem qualquer indivíduo da sua espécie.

Assistimos, portanto, a mais um exemplo do expoente máximo do ego Humano. Independentemente do que provocam nos indivíduos que (des)educam, as pessoas que se encontram envolvidas neste tipo de projectos não têm como objectivo proteger as espécies selvagens, muito pelo contrário; enfraquecem-nas até as conseguirem dominar (i.e, destruir). Para estes indivíduos, nada é melhor do que sentirem que são “superiores” a um grande felino; dá-lhes uma sensação de poder sem a qual não conseguem ser felizes.

Para a próxima vez que ouvirem falar de um projecto de protecção de animais selvagens, investiguem bem antes de manifestarem o vosso apoio, pois pode tratar-se de mais um pseudo-santuário…A última ameaça aos animais selvagens.

Miura


"Fez um esforço.

Embora ardesse numa chama de fúria, tentou refrear os nervos e medir com a calma possível a situação.

Estava, pois, encurralado, impedido de dar um passo, à espera de que lhe chegasse a vez!

Um ser livre e natural, um toiro nado e criado na lezíria ribatejana, de gaiola como um passarinho, condenado a divertir a multidão!

Irreprimível, uma onda de calor tapou-lhe o entendimento por um segundo.

O corpo, inchado de raiva, empurrou as paredes do cubículo, num desespero de Sansão.

Nada. Os muros eram resistentes, à prova de quanta força e quanta justa indignação pudesse haver.

Os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais...

Palmas e música lá fora.

O Malhado dava gozo às senhorias...Um frémito de revolta arrepiou-lhe o pêlo.

Dali a nada, ele. Ele Miura, o rei da campina !

A multidão calou-se.

Começou a ouvir-se, sedante, nostálgico, o som grosso e pacífico das chocas.

A planície!...O descampado infinito, loiro de sol e trigo...

O ilimitado redil das noites luarentas, com bocas mudas, limpas, a ruminar o tempo...

A fornalha escaldante, sedenta, desesperante, que o estrídulo das cegarregas levava ao rubro.

Novamente o silêncio.
Depois, ao lado, passes incertos de quem entra vencido e humilhado no primeiro buraco...

Refrescou as ventas com a língua húmida e tentou regressar ao paraíso perdido.

A planície...

Um som fino de corneta.

Estremeceu.

Seria agora? Teria chegado, enfim, a sua vez?

Não chegara.
Foi a porta da esquerda que se abriu, e o rugido soturno que veio a seguir era do Bronco.Sem querer, cresceu outra vez quanto pôde para as paredes estreitas do cárcere. Mas a indignação e os músculos deram em pedra fria.

A planície... O bebedoiro da Terra-Velha, fresco, com água limpa a espelhar os olhos...

Assobios.

O Bronco não fazia bem o papel...Um toque estranho, triste, calou a praça e rarefez o curro.Rápida e vaga, a sombra do companheiro passou-lhe pela vista turva.

Apertou-se-lhe o coração.

Que seria?Palmas, música, gritos.Um largo espaço assim, com o mundo inteiro a vibrar para além da prisão.

Algum tempo depois, novamente o silêncio e novamente as notas lúgubres do clarim.Todo inteiro a escutar o dobre a finados, abrasado de não sabia que lume, Miura tentava em vão encontrar no instinto confuso o destino do amigo.

Subitamente, abriu-se-lhe sobre o dorso um alçapão, e uma ferroada fina, funda, entrou-lhe na carne viva.

Cerrou os dentes, e arqueou-se, num ímpeto.Desgraçadamente, não podia nada.

O senhor homem sabia bem quando e como as fazia. Mas por que razão o espetava daquela maneira?

Três pancadas secas na porta, um rumor de tranca que cede, uma fresta que se alargou, deram-lhe num relance a explicação do enigma da agressão: chegara a sua vez.

Nova picada no lombo.- Miura! Cornudo!

Dum salto todo muscular, quase de voo, estava na arena.

Pronto! A tremer como varas verdes, de cólera e de angústia, olhou à volta. Um tapume redondo e, do lado de lá, gente, gente, sem acabar.Com a pata nervosa escarvou a areia do chão.

Um calor de bosta macia correu-lhe pelo rego do servidoiro.

Urinou sem querer.

Gritos da multidão.
Que papel ia representar! Que se pedia do seu ódio? Hesitante, um tipo magro, doirado, entrou no redondel.

Olhou-o a frio. Que força traria no rosto mirrado, nas mãos amarelas, para se atrever assim a transpor a barreira?A figura franzina avançou.Admirado, Miura olhava aquela fragilidade de dois pés. Olhava-a sem pestanejar, olímpica e ansiosamente.Com ar de quem joga a vida, o manequim de lantejoulas caminhava sempre.

E, quando Miura o tinha já à distância dum arranco, e ainda sem compreender olhava um tal heroísmo, enfatuadamente, o outro bateu o pé direito no chão e gritou:-Eh! boi Eh! toiro!

A multidão dava palmas.-Eh! boi Eh! toiro! Tinha de ser.

Já que desejavam tão ardentemente o fruto da sua fúria, hei-lo.

Mas o homem que visou, que atacou de frente, cheio de lealdade, inesperadamente transfigurou-se na confusão de uma nuvem vermelha, onde o ímpeto das hastes aguçadas se quebrou desiludido.Cego daquele ludíbrio, tornou a avançar.

E foi uma torrente de energia ofendida que se pôs em movimento.Infelizmente, o fantasma, que aparecia e desaparecia no mesmo instante, escondera-se covardemente de novo por detrás da mancha atordoadora. Os cornos ávidos, angustiados, deram em cor.

Mais palmas ao dançarino.

Parou. Assim nada o poderia salvar.

À suprema humilhação de estar ali, juntava-se o escárnio de andar a marrar em sombras.

Não. Era preciso ver calmamente.

Que a sua raiva atingisse ao menos o alvo.O espectro doirado lá estava sempre. Pequenino, com ar de troça, olhava-o como se olhasse um brinquedo inofensivo.Silêncio.Esperou.

O homem ia desafiá-lo certamente outra vez.Tal e qual. Inteiramente confiado, senhor de si, veio vindo, veio vindo até não poder sair do domínio dos chifres.

Agora!
De novo, porém, a nuvem vermelha apareceu. E de novo Miura gastou nela a explosão da sua dor.

Palmas, gritos.

Desesperado, tornou a escarvar o chão, agora com as patas e com os galhos. O homem!Mas o inimigo não desistia.
Talvez para exaltar a própria vaidade, aparentava dar-lhe mais oportunidades.

Lá vinha todo empertigado, a apontar dois pequenos paus coloridos, e a gritar como há pouco:- Eh! toiro! Eh! boi!Sem lhe dar tempo, com quanta alma pôde, lançou-se-lhe à figura, disposto a tudo. Não trouxesse ele o pano mágico, e veríamos!Não trazia.

E, por isso, quando se encontraram e o outro lhe pregou no cachaço, fundas, dolorosas, as duas farpas que erguia nas mãos, tinha-lhe o corno direito enterrado na fundura da barriga mole.

Gritos e relâmpagos escarlates de todos os lados.Passada a bruma que se lhe fez nos olhos relanceou a vista pela plateia.

Então?!
Como não recebeu qualquer resposta, desceu solitário à consciência do seu martírio.

Lá levavam o moribundo em braços, e lá saltava na arena outro farsante doirado.Esperou. Se vinha sem a capa enfeitiçada, sem o diabólico farrapo que o cegava e lhe perturbava o entendimento, morria. Mas o outro estava escudado.

Apesar disso, avançou.

Avançou e bateu, como sempre, em algodão.Voltou à carga.O corpo fino do toureiro, porém, fugia-lhe por artes infernais.

Protestos da assistência.

Avançou de novo. Os olhos já lhe doíam e a cabeça já lhe andava à roda.Humilhado, com o sangue a ferver-lhe nas veias, escarvou a areia mais uma vez, urinou e roncou, num sofrimento sem limites.

Miura, joguete nas mãos dum Zé-Ninguém!

Num ímpeto, sem dar tempo ao inimigo, caíu sobre ele. Mas quê! Como um gamo, o miserável saltava a vedação.Desesperado, espetou os chifres na tábua dura, em direcção à barriga do fugitivo, que arquejava ainda do outro lado.

Sangue e suor corriam-lhe pelo lombo abaixo.Ouviu uma voz que o chamava. Quem seria? Voltou-se. Mas era um novo palhaço, que trazia também a nuvem, agora pequena e triangular.

Mesmo assim, quase sem tino e a saber que era em vão que avançava, avançou.Deu, como sempre na miragem enganadora.Renovou a investida. Iludido, outra vez.Parou. Mas não acabaria aquele martírio?

Não haveria remédio para semelhante mortificação?Num último esforço, avançou quatro vezes. Nada. Apenas palmas ao actor.Quando? Quando chegaria o fim de semelhante tormento?

Subitamente, o adversário estendeu-lhe diante dos olhos congestionados o brilho frio dum estoque.Quê?! Pois poderia morrer ali, no próprio sítio da sua humilhação?! Os homens tinham dessas generosidades?!

Calada, a lâmina oferecia-se inteira.Calmamente, num domínio perfeito de si, Miura fitou-a bem.

Depois, numa arremetida que parecia ainda de luta e era de submissão, entregou o pescoço vencido ao alívio daquele gume."

Miguel Torga, «Bichos». Coimbra, Ed. Autor, 1940; 18.ª ed. 1990.

Pesava-me na consciência não pôr este poema aqui...

Quinta das Futilidades


Há algo que, desde sempre, me impressiona no comum humano: a capacidade de assistir (e gostar) a programas e espectáculos que envolvam a tortura e maus-tratos de animais.

Foi com muita tristeza que no último fim-de-semana soube que este programa vergonhoso (em muitos aspectos) ia recomeçar.

Naquela “casa” a nata da sociedade portuguesa (???) ganha dinheiro, grande parte das vezes, a gozar com animais. Desde o pobre do cavalo que tem de arcar com aquelas bestas, até à vaca que, infelizmente, também tem de os suportar a espremer as suas tetas com o dobro do tamanho que deveriam ter (causando, naturalmente, dor ao animal), passando pelas pobres galinhas, cabras e, agora, os caracóis cujo triste destino bem conhecemos.

Apesar de tudo, tenho que dar o braço a torcer e dizer que poderia ser bem pior já que quando a ANIMAL soube que a TVI ia importar o programa, insistiu para que houvesse pelo menos um veterinário ao serviço dos animais, já que tal não aconteceu nos países pioneiros da "quinta das celebridades"; como resultado da negligência e insensibilidade das ditas "pessoas" chegaram a morrer animais...(agradeço à Bela pela informação)Se na estreia do programa havia um indivíduo que, com toda a sua idiotice, insensibilidade e ignorância, fazia questão de apelar ao uso de peles de animais inocentes que são torturados e mortos de forma vergonhosa (para mim que sou Humana), agora vemos uma Helicultura…

Como já tinha acontecido antes, assistimos à apologia de uma das grandes vergonhas de Portugal: a tourada.Ora bem, como seria de esperar de “saloios”, vê-se falar e encenar o dito “espectáculo” com “glamour”, como se de algo bom se tratasse.Como também já é mais do que sabido, o público-alvo do programa acha que tudo o que lá está dentro é muito lindo, uma vez que parecem não ter cérebro próprio para pensar. É assim que se angariam indivíduos para defender um espectáculo que desperta o que de pior o ser Humano tem. É, enfim, uma prática medieval que nada mais merece de nós, Humanos, que a repulsa e o boicote.

Sinceramente, com tudo o que vejo os Homens fazer, não tenho grande esperança em relação a esta espécie e é por isso que, quando me vêm falar em justiça divina, temo pela Humanidade.

Respeito pela Vida acima de tudo. Não fechem os olhos ao que se passa mesmo diante de vós.

quinta-feira, março 24, 2005

GLA inicia actividade



O Grupo de Libertação Animal inicia hoje a sua actividade.
As nossas acções incidem principalmente na sensibilização das pessoas para a causa animal e em participações em campanhas contra a exploração, maus-tratos, abusos, tortura e chacina de animais.

O GLA entende que o Ser Humano tortura perversamente seres de outras espécies que são IGUAIS ao homem tendo os mesmos direitos. A exploração animal deve acabar HOJE.

Para isso, o GLA conta com o apoio e participação de todos os interessados.
Para entrar em contacto connosco: glanimal@gmail.com

 
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