Grupo dedicado à protecção e libertação animal.

terça-feira, junho 07, 2005

Portugal a arder...outra vez

O ano passado, mais ou menos por esta altura, decidi escrever um artigo, em forma de desabafo, sobre o triste panorama dos incêndios florestais. Na altura sabia que este ano, o artigo poderia (infelizmente) ser aproveitado a 100% da mesma forma que o será por muitos anos até que algo mude realmente. Este ano é a polémica dos meios aéreos, para o ano a desculpa há-de ser outra.

As minhas desculpas pelo tamanho do artigo. Ainda assim muito fica por dizer.

Incêndios Florestais

Mais um ano, os mesmos problemas. Milhares de hectares somem-se debaixo de chamas e ninguém põe um travão nisto. É apenas uma questão de tempo até que não tenhamos verde para contemplar.
É muito triste ver esta história repetir-se, é muito triste ver como as pessoas que representam a autoridade e o país, simplesmente cruzam os braços à espera que a situação seja insustentável. O problema é que já o é, apenas ninguém parece perceber isso.
Muito se tem falado, muito se tem criticado, especialmente a postura do nosso governo e, na realidade não há mais ninguém a culpar ou não fossem estes senhores engravatados, responsáveis pelo território, pela sua riqueza natural e pelos seus cidadãos.
Porque tenho algumas coisas a dizer sobre esta problemática, decidi escrever este artigo.
Não sou de forma alguma, um profundo conhecedor das coisas que vou abordar, sou apenas um cidadão preocupado. Cabe a cada um pensar e tirar as próprias conclusões.

O que realmente importa

Antes de continuar, queria chamar a atenção aos que são realmente esquecidos nestas calamidades sem nunca terem tido culpa de nada. Os verdadeiros inocentes nestes crimes são as nossas florestas e os animais que delas fazem os seus lares. Todos os dias as televisões se centram na miséria dos velhinhos que ficam sem nada. Devo dizer que compreendo a mágoa e não desejo a sorte a ninguém mas mal ou bem são ajudados e o que os bombeiros tentam sempre salvar são as pessoas, aos animais da floresta ninguém acorre. As pessoas perdem tudo, mas esquecem-se que continuam vivas, outros não têm a mesma sorte, esses sim perdem tudo. Foi sempre este desrespeito, este esquecimento, que me indignou neste tema e continuará sempre a indignar, porque a Natureza é que está a ser destruída. Que se lixem os interesses do Homem, perdoem-me a expressão. Preferia mil vezes que ardessem as nossas cidades do que ver as coitadas criaturas selvagens padecerem do mal que é a ganância humana. Lembrem-se dos que realmente desaparecem graças à ignobilidade do Homem, porque a vida contínua para nós mas para esses acaba. A vida neste planeta já está mais do que fustigada precisamente por não considerarmos as dimensões destas calamidades e continuarmos a olhar para o umbigo da raça humana porque todos já ouviram os choros desesperados dos velhinhos mas nunca ninguém ouviu os sons de criaturas a serem consumidas pelo fogo. Só porque os animais não sentem, só porque os animais são inferiores…

Outras prioridades

A falta de meios é sempre a desculpa, é sempre a resposta directa e simples para a ineficácia no combate aos fogos florestais. Na verdade, existem falta de meios e os poucos que existem estão simplesmente obsoletos. Cheguei eu a ver, há alguns anos, em 93 quando aqui mesmo onde moro, na Figueira da Foz, os bombeiros, aflitos por controlar um fogo que consumiu quase por completo a serra da Boa-Viagem, acorrerem aos incêndios com pelo menos um carro que mais parecia saído de filme dos anos 20/30. Como é que isto é possível?
Resta-nos a eterna acusação: o estado continua a definir as suas prioridades de forma errada. Serão submarinos e equipamento militar mais importantes que as nossas florestas? Não. Curiosamente os nossos militares, que são 99% do tempo inúteis ao nosso pais e que só servem para defender interesses dos países ricos, não aparecem ao lado dos bombeiros a combater as chamas e são uma força de milhares de homens e mulheres que podiam pelo menos estar nas florestas a defendê-las, com armas se necessário, porque um dia vai ter de ser mesmo assim. Já ando a defender esta ideia há anos, mas quem sou eu senão uma voz perdida no nada? Fiquei feliz quando o presidente Jorge Sampaio há uns meses atrás, anunciou que o exército faria parte do esforço conjunto na prevenção. É preciso dizer mais? Tudo se repetiu, foi uma simples tentativa de acalmar os que mais temiam por mais uma temporada de incêndios florestais.
Tudo o que o estado procura é mostrar aos seus parceiros, uma fachada forte dizendo-lhes que este país é capaz de se manter entre os países desenvolvidos e, no entanto, perde a oportunidade de realmente defender as suas riquezas. Para quem viu as imagens de satélite da NASA tiradas durante os incêndios perceberá que Portugal estava em chamas mas Espanha estava imaculada. Porque será? São mais importantes os campeonatos de futebol e os estádios. Os milhões que foram esbanjados com o Euro 2004, poderiam ter reequipado, e treinado, os bombeiros de todo o país que teriam agora como fazer face a esta calamidade.

Combater as chamas

Os nossos bombeiros continuam a ser desprezados, continuam a estar desapoiados. O estado investe na defesa mas não na defesa das florestas e mesmo dos seus cidadãos no que toca a males bem mais presentes, a ameaças muito concretas como os incêndios e catástrofes naturais.
Estes homens e mulheres põem muitas vezes em perigo os seus empregos, as suas próprias vidas e os seus familiares para tentar pôr cobro a uma situação que está completamente descontrolada. Mas estes soldados da paz lutam todo o ano, ao contrário do que acontece nos quartéis militares, onde os nossos soldadinhos engordam à conta das suas posições tão “necessárias para a defesa nacional”.
O estado fecha os olhos às necessidades destes homens, os municípios idem, as empresas, claro. A boa vontade e investimento próprio de muitos deles é que mantêm a floresta minimamente defendida. Se não fosse assim, se estas pessoas virassem as costas aos outros e à floresta como fazem as autoridades, então viveríamos num deserto.
Quando é que estas pessoas começam a ser recompensadas pelo seu esforço? Ao menos dêem-lhes o equipamento que precisam porque todos sabemos que fazem este trabalho de bom grado e gratuitamente. Os jogadores de futebol recebem medalhas e são idolatrados não se sabe bem porquê. Quem realmente luta por um país melhor é esquecido.
Dêem um pouco mais de crédito a estas pessoas. Não se justifica que não sejam tratados como funcionários do estado, porque esta gente trabalha mais do que qualquer deputado alapado na Assembleia da Republica a ganhar milhares de euros por mês e depois nas suas reformas. Peguem nas reformas chorudas dos políticos e dêem-nas a quem precisa ou comprem novos veículos para os bombeiros, em 10 anos seríamos o país mais bem apetrechado no que toca a meios de socorro e combate a incêndios.
Mas o que interessa é mesmo o futebol não é?

Desperdiçar soluções

Das universidades portuguesas saem todos os anos, inúmeras inovações científicas apesar do fraco apoio governamental que nem apoia a investigação e nem defende a tecnologia portuguesa. São exemplo dessa politica, projectos de vigilância electrónica das florestas e protótipos de carros de combate a incêndios muito eficazes e avançados que passam ao lado do governo português mas que acabam implementados num dos tais países desenvolvidos como Portugal tanto quer ser. Muitas vezes as ideias são até roubadas por empresas estrangeiras só porque Portugal não se defende apesar de, ironicamente se apetrechar de equipamento bélico que não serve e nunca servirá os interesses dos portugueses. Perdem-se oportunidades de melhorar o problema de uma forma relativamente barata e eficaz e com tecnologia nacional. Todos ficavam a ganhar…menos os madeireiros e construtores.

Ao Serviço Nacional de Protecção Civil, são muitas vezes apresentadas soluções, tanto logísticas como tecnológicas que por alguma razão que o comum cidadão desconhece, nunca passam de propostas. Nem interessa já se são propostas que englobem tecnologia portuguesa, importa que sejam soluções e que os dinheiros continuem bloqueados e nada se faça. Estes senhores da Protecção Civil parecem não servir para mais nada a não ser emitir comunicados para as câmaras a dar-nos números. Nós não precisamos de estatísticas, precisamos de acção.

Burocracias e interesses

O que fazemos frente aos problemas, normalmente, é culpar o governo. Nós podemos culpar o sistema, podemos realmente, em algumas alturas da nossa vida, querer as cabeças destes senhores numa bandeja porque incrivelmente, para o bem, para o progresso, nunca levam a sua avante mas para as guerras e injustiças eles fazem-se notar.
Os senhores que nos governam, não são todos assim, porém. Os que realmente chegam e tentam resolver o problema, das duas, uma: ou se vêem a braços com papelada a preencher para os próximos 20 anos; ou se vêem a braços com poderes políticos que lhes castram as boas intenções e chegam mesmo a pôr as suas vidas em perigo e não, isto não vem dos filmes, acontece na realidade embora não tenhamos essa noção.
Podemos culpar o sistema porque é incrivelmente imperfeito, incapaz, injusto, porque muitos dos que dele fazem parte não deviam ter sequer direito a governar as suas famílias.
O que agrava toda esta imperfeição – sim, errar é humano – é a corrupção, os interesses económicos, a demasiada proximidade entre as empresas e o estado que, num ar de cumplicidade, vivem lado a lado numa simbiose que duvido ter um real impacto positivo para o país, tem sim beneficio para os senhores deputados, ministros e afins que decerto, muitas vezes vêem “gratificações” cair-lhes na conta bancária.
Quem alguma vez se deu ao trabalho de acompanhar uma votação na assembleia da república decerto terá reparado nos perigos de maiorias absolutas. É que, neste momento, a coligação PSD/CDS-PP tem quase ou mais deputados do que todos os outros partidos juntos e, normalmente todos se mantêm unidos invalidando a democracia, porque defendem-se os partidos e não as ideias. É neste estado que está o Estado, é assim que vamos sobrevivendo no meio de indecisões e de interesses duvidosos. O pobre do cidadão não tem voz activa, só estes senhores e senhoras é que têm oportunidade de fazer a diferença e não a fazem.
É este ambiente que facilita os interesses económicos de terceiros. Não se trata apenas do problema dos incêndios, tem a ver com todas as decisões que afectam o país e o mundo.

Os perigos para a floresta

A indústria madeireira precisa de madeira mais barata, precisa que a madeira de áreas protegidas seja libertada para que a possam cortar e as construtoras só precisam de terreno limpo pelas madeireiras para construir. Conveniente não é? São estas empresas que precisam de ser paradas, de ser investigadas a fundo, de controlo constante, de fiscalização insistente e, em muitos casos, de ser terminantemente impedidas de operar. Os responsáveis têm de sofrer penas fortes porque isto não devia ser encarado como um crime simples e pouco grave contra o país mas sim como um atentado à vida e contra o planeta e como um crime que, segundo os mais radicais merecia a pena de morte. Às vezes também só consigo pensar assim quando olho para a imensa devastação causada por esta gente. As empresas que operam na floresta devem ser obrigadas a contribuir para os bombeiros locais com meios de combate aos fogos florestais e devem ser obrigadas, mas realmente obrigadas a replantar. Deveria ser assim: querem tirar da floresta, têm de deixar algo para compensar. Não é só encher o bandulho, é preciso dar algo em troca.

Lembrem-se também dos inúmeros pirómanos que se divertem a pegar fogo às florestas. Não lhes saberá tão bem ver o seu trabalho no noticiário?
A comunicação social esforça-se por sensacionalizar como sempre, atribuindo dimensões épicas às suas reportagens. O melhor é que demonstrem menos a importância que dão aos que queimam a floresta. Não nos tapem os olhos obviamente mas informem o público com mais responsabilidade. Afinal estes psicóticos gostam de ser apreciados pelo que fazem, não lhes dêem essa alegria.

As causas meteorológicas, apesar de poderem ser apontadas, são normalmente uma simples forma de descartar responsabilidades porque na realidade, talvez 90% dos grandes incêndios sejam de origem criminosa. Mas ainda que fosse a única causa, haveria que investir na limpeza das matas e no seu ordenamento criando os tão desejados acessos que os bombeiros esmolam há décadas.

Consequências

Com tudo isto, ficamos com a nossa fauna e flora fragilizadas, com a nossa riqueza natural destruída. Os animais só têm uma forma de sobreviver e é mudando-se para as povoações vizinhas causando transtornos e mais uma catástrofe ambiental pois os habitantes vão eliminar esta ameaça. Entre as cidades, vilas e aldeias fica então um imenso deserto, não só físico mas também no coração dos que sempre viveram ligados à floresta, à natureza que sempre tiveram ali perto para contemplar. Mas isto não é o pior.
Depois dos incêndios vêm os abutres que cortam as árvores queimadas deixando os terrenos mais baixos preparados para, na próxima chuvada, levarem com derrocadas em cima matando pessoas e animais e causando milhões de euros de prejuízo.
Mesmo a nível meteorológico, os ventos aumentam causando a erosão dos terrenos mas não só. Espaço livre para o vento ganhar força é uma maneira de criar pequenos tornados que acabam por criar mais problemas.
Ninguém pensa na real dimensão do que são os atentados contra a floresta. Todos conseguimos respirar por enquanto mas cada vez pior. Andamos todos muito preocupados com o nosso umbigo.

Conclusões

Resta-nos esperar por alguém no governo que tenha algum bom senso e coragem para fazer mudar as coisas de uma forma muito radical. É preciso também que as pessoas deixem de ser ignorantes e percebam realmente quais as forças que estão em jogo e o que está em perigo.
Enquanto as atitudes permanecerem as mesmas nada vai mudar. Tudo roda em torno da economia e as coisas só se fazem se forem viáveis. Mas o futuro deste planeta deve ser preservado a qualquer custo. Aqueles que não compreendem agora, o que isto significa, verão daqui a alguns anos, o verdadeiro sentido destas palavras.
Até lá vamos todos tentar ao menos mudar as nossas formas de olhar para o mundo como nossa propriedade mas sim como o lar em que vivemos, deixemos de nos preocupar tanto com o impacto que certos eventos têm sobre a raça humana mas sim com o impacto que têm sobre toda a Natureza. Quando começarmos realmente a perceber este simples conceito talvez comece a notar-se alguma diferença. Por enquanto resta esperar por melhores dias.

1 comentários:

Anonymous Marina de Assis Florentino disse...

Eu espero que o governo tenha coragem de ajudar os animais para que eles sejam bem cuidados, não sejam maltratados e o principal: SEJAM LIVRES!!
Por favor façam sua parte e colaborem se vocês gostarem de animais assim como eu!
OBRIGADO!!!!

12:18 da tarde

 

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