Grupo dedicado à protecção e libertação animal.

quinta-feira, março 31, 2005

Vergonha Nacional...Mais uma


Todos sabemos (ou imaginamos) a importância da floresta Amazónica para o nosso planeta. Aquilo que, infelizmente, parece passar despercebido é que esta relíquia natural está desde há décadas a ser legal e ilegalmente destruída. Os inimigos são os do costume: pecuária, a expansão da soja mecanizada, a extracção ilegal de madeira, a abertura de estradas, os ajustamentos da reforma agrária, etc…Graças a todas estas indústrias, estima-se que tenham sido já destruídos cerca de 631.000 Km2 de floresta (dados de 2002). De acordo com o governo brasileiro, cerca de 80% da madeira abatida na Amazónia é-o de forma ilegal; 20% dessa madeira é exportada para os EUA e Europa, sendo o resto utilizado no Brasil.

Para nossa imensa vergonha, calcula-se que Portugal seja o sétimo maior exportador mundial de madeira Amazónica[1], servindo (também neste negócio) como porta de entrada no continente europeu de madeira extraída ilegalmente das últimas florestas tropicais do planeta.

Com o objectivo de alertar a sociedade e o governo para este flagelo, os protestos contra o uso de madeira obtida ilegalmente têm sido uma constante por terras lusas.

No dia 22 de Março de 2005, activistas da QUERCUS e da GREENPEACE tentaram impedir o descarregamento de madeira ilegal proveniente da Amazónia, bloqueando a entrada do navio Skyman no Porto de Leixões. Este carregamento valia, no mínimo, 195.666 €, e incluía madeira de, pelo menos, quatro empresas brasileiras multadas por envolvimentos em ilegalidades na extracção de madeira tropical.

No dia 29 de Março de 2005, os activistas da QUERCUS e da GREENPEACE uniram-se no Porto (Vale de Cambra) para, mais uma vez, lutarem contra esta prática concentrando-se, desta vez no grupo Vicaima, um dos maiores processadores de madeira em Portugal e um dos principais fabricantes de portas a nível europeu. O grupo Jomar/Vicaima/Madeiporto compra madeira amazónica importada ilegalmente pela “gigante” dinamarquesa DLH Nordisk. Dez activistas concentraram-se durante cerca de quatro horas no portão do recinto, barricando a entrada de veículos na empresa. Apesar de se tratar de um protesto de carácter notoriamente pacífico em que foi estendida uma faixa com a mensagem Chega de madeira ilegal – Comprem FSC, e em que se procedeu à distribuição de panfletos de sensibilização aos trabalhadores (que não foram impedidos de entrar), um jornalista e o vice-presidente da QUERCUS – Luís Galrão – foram agredidos por dois dos directores do referido grupo.

Um dos “ilustres” senhores dá pelo nome de Álvaro Pinto da Costa Leite e, para além de administrador desta empresa foi o fundador do Finibanco, alargando (infelizmente) a sua influência à política, tendo chegado a ocupar a presidência da Câmara de Vale de Cambra pelo PSD.

Curiosamente (ou não…), o protesto terminou com a detenção dos activistas e não dos agressores. A justificação da GNR para essa “falha” foi “a agressão não foi presenciada em flagrante”.

Apesar da RTP ter filmado quase tudo (o protesto, a chegada do indivíduo de Mercedes e as ofensas por ele proferidas aos activistas e aos jornalistas), a versão completa da reportagem foi exibida apenas no Jornal da Tarde, às 13:00h; no Jornal da Noite, às 20:00h (horário nobre - mais audiência), essa versão foi substituída por uma amputada, em que foram suprimidas as agressões.

Infelizmente, com todos estes acontecimentos, o que acabou por se “esquecer” foi a mensagem e os objectivos das organizações ecologistas: foi reivindicado o cessar imediato da compra de madeira ilegal pelos referidos grupos e pedido que só fossem comercializados produtos certificados pelo FSC (Forest Stewardship Council- Conselho de Manutenção Florestal).

Um dos grandes obstáculos (outro…) nesta luta é o facto do governo português ter permanecido passivo em relação a este assunto. Quando países como a Alemanha, Inglaterra, França e Bélgica se dispuseram a apoiar a implementação do plano de acção da União Europeia contra o tráfico de madeira ilegal, Portugal não demonstrou o mesmo empenho; enquanto isto acontecer, seremos vistos como cúmplices da destruição da floresta Amazónica.


[1] Os maiores importadores de madeira amazónica são os EUA, a China, a França, a Holanda, Espanha, Inglaterra e Portugal.

 
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