Grupo dedicado à protecção e libertação animal.

sexta-feira, março 25, 2005

Pseudo-santuários

A última ameaça aos animais selvagens.



Aqui há uns meses tive o (des) prazer de tomar conhecimento de um projecto cuja suposta missão é salvar os grandes felinos da extinção: Tiger Missing Link Foundation (TML). Em Janeiro passado, na 2 (dois), na hora dedicada a programas sobre animais, exibiram um documentário sobre esse projecto, pintando-o com um “glamour” asqueroso.

Trata-se, pura e simplesmente, de um grupo de “pessoas” que cria grandes felinos (leões, tigres, chitas), muito à semelhança do que se faz nos Zoos, com a particularidade de serem Humanos a educar as crias, desde que nascem. Pouco tempo depois de darem à luz, as fêmeas, cansadas, vêem os seus filhos serem roubados pelo mesmo grupo de indivíduos que a roubou tempos antes, ao calor da sua mãe. Já com as crias em seu poder, a desculpa é que aquelas fêmeas não são boas mães (apesar de, momentos antes, termos visto a jovem mãe debater-se com quanto podia, para tentar defender as suas crias daqueles predadores) e por isso, as crias têm de ser criadas por e com os humanos, muito à semelhança do que se faz com um cachorrinho doméstico. Durante o tempo em que estão no seio da família humana são educados para se tornarem gatinhos domesticados e submissos; apenas mais um troféu para o enorme ego das pessoas envolvidas naquele projecto.

O processo de domesticação baseia-se num conceito muito simples: enfraquecer a espécie até ela ficar totalmente dependente de humanos para sobreviver (tal como os cães, gatos e pássaros domésticos). Deste modo, desde que nascem, as crias estão condenadas a ser arrancadas às suas raízes, para terminarem as suas vidas dentro de jaulas diminutas e imundas a entreter os “bípedes”.

Vejamos, então alguns dos truques que estes “amantes dos felinos” utilizam:

- Ao retirar a cria recém-nascida à progenitora impossibilita-se a construção dos laços mãe-cria, extremamente importantes ao bom desenvolvimento de qualquer Mamífero;

- A cria não é alimentada com o leite materno, privando-a do alimento mais indicado e equilibrado para o bebé, sendo rico em todos os nutrientes indispensáveis ao crescimento da cria como também em anticorpos provenientes da mãe, que se revelariam de extrema importância na manutenção do organismo da cria (já para não falar da importância que o próprio acto de amamentar tem para a cria e para a progenitora);

- Os tais laços afectuosos que a cria deveria estabelecer com a mãe e irmãos serão estabelecidos com seres Humanos, o que confunde a cria, podendo levá-la a abdicar de certos comportamentos típicos da sua espécie, para adoptar os da espécie da progenitora não-biológica;

- Ao ser criado pela a progenitora biológica teria uma infância e adolescência dedicada à descoberta do seu habitat e aprendizagem de técnicas que mais tarde garantiriam a sua sobrevivência. Numa casa humana, a cria passa a maior parte deste período fulcral a ser domesticada e a aprender a ser submissa à figura Humana. Assim sendo, a cria não desenvolverá, na sua totalidade, todas as suas capacidades intelectuais, muito à semelhança de uma criança humana criada, por exemplo, com cães;

- Depois de atingirem um determinado tamanho em que já se torna difícil a sua manutenção pelos humanos (e também já perderam a graça de quando eram bebés), os juvenis são encaminhados para o parque, onde são enjaulados e servem de atracção turística para o resto das suas vidas;

Imagine-se, portanto, a confusão que não irá na mente dos juvenis que, depois de terem sido criados com, e por humanos (para eles a sua família), são atirados para jaulas, sem nenhum do “carinho” que em tempos tiveram. Ao mesmo tempo, têm, muitas vezes de se habituar à presença de outros felinos da mesma espécie que não é algo de normal para eles, já que foram criados por pessoas, e, na maior parte das vezes, sem qualquer indivíduo da sua espécie.

Assistimos, portanto, a mais um exemplo do expoente máximo do ego Humano. Independentemente do que provocam nos indivíduos que (des)educam, as pessoas que se encontram envolvidas neste tipo de projectos não têm como objectivo proteger as espécies selvagens, muito pelo contrário; enfraquecem-nas até as conseguirem dominar (i.e, destruir). Para estes indivíduos, nada é melhor do que sentirem que são “superiores” a um grande felino; dá-lhes uma sensação de poder sem a qual não conseguem ser felizes.

Para a próxima vez que ouvirem falar de um projecto de protecção de animais selvagens, investiguem bem antes de manifestarem o vosso apoio, pois pode tratar-se de mais um pseudo-santuário…A última ameaça aos animais selvagens.

 
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